sexta-feira, 15 de outubro de 2010

PROFESSOR: TO BE OR NÃO SER


No dia dos professores, docentes contam por que escolheram a carreira

Ligia Sanchez
Em São Paulo

A escolha da carreira docente está permeada de emoção. Seja por inspiração no trabalho de pessoas queridas, encantamento com professores da infância, sentimento de vocação desde pequenos ou mesmo para aqueles que chegaram por caminhos tortuosos, a permanência na profissão vem acompanhada de paixão. Mas, por que os professores escolheram essa profissão?

  • Divulgação/Gilvan Barreto/Tamires Kopp/Colégio Marista Arquidiocesano

    Professores contam por que decidiram exercer a docência

"Desde menina, eu sempre dizia que seria professora de crianças pequenas", conta Lisiane Hermann Oster, docente há nove anos no Sesquinho - Escola de Educação Infantil do SESC, em Ijuí-RS. "A opção veio do encantamento que tive quando era aluna, com professoras muito boas." Foi durante o curso de magistério que ela teve certeza da escolha. "Fiz muitos estágios e nessa prática concluí que era o que eu queria."

“Ainda adolescente eu me pegava em sala de aula ajudando os colegas, não só nas matérias, mas também dando apoio psicológico. Eu era o 'amigão'." Esta disposição pessoal combinou-se ao exemplo do irmão mais velho, que já fazia licenciatura, para que Alexandre Simonka já sentisse vontade de ser docente aos 13, 14 anos. Professor de física para ensino médio e responsável pelo departamento de informática do Colégio Vértice, em São Paulo, ele conta que, quando chegou o momento de escolher a carreira, não teve dúvidas em optar pela licenciatura.

"O baque veio quando comecei a dar aulas. Achava que por ser professor de física, só precisaria dar conteúdo, mas educação é muito mais que isso. Hoje vejo que o conteúdo é só um ensejo para estar do lado dos alunos, a física é uma ferramenta para desenvolver algumas habilidades, mas dentro da formação mais ampla."

Cair 'na realidade'

Antes de se graduar, Alexandre trabalhou no departamento de informática de uma rede de drogarias. "Eu tinha um ideal de dar aula onde pudesse desenvolver meus projetos", explica. Ele conta que alguns colegas o chamavam de utópico e o incentivavam a pegar aulas em escolas menos estruturadas, para cair "na realidade".

Formado, Alexandre foi contratado pelo Colégio Vértice. "Devo parte de minha formação a esta escola. Não só pude desenvolver minhas ideias como encontrei um ambiente fantástico, onde pude colocar em prática meu objetivo de ajudar as pessoas na concepção mais ampla da palavra educação", diz.

O começo da profissão parece ser o momento mais desafiador. "Com o primeiro impacto em sala de aula, me senti despreparado, neste momento até pensei que talvez esta não fosse minha profissão. Nos primeiros meses, fui um verdadeiro estagiário, pois, mesmo formado, a faculdade dá as bases, mas não mostra toda a realidade", afirma.

Ao fazer um balanço de seus 12 anos de carreira, Alexandre diz que as mudanças não param. "Aprendemos muito com a molecadinha, mais do que eles imaginam que aprendem conosco", diz.

A vocação falou mais forte

Ana Cristina Santos de Paula, professora de música do sexto ano do fundamental no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, chegou à carreira docente por vocação. Mas nem sempre teve clareza de que esta seria sua profissão. "Pensei em ser jornalista, tanto que cursei comunicação social. Mas minha vocação para música foi mais forte e acabei estudando licenciatura nesta área. Como a música é muito expressiva, senti necessidade de compartilhar e a educação foi o caminho."

Para Ana Cristina, ser professora é uma oportunidade de estar sempre aprendendo. "O contato com o jovem e a criança propicia uma constante renovação, porque eles estão abertos a conhecer o mundo."

Sem perder o contato com a prática

A diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Neide Noffs, tem um histórico como professora que passa por todos os níveis de ensino, desde o infantil até especialização. Ela começou a lecionar aos 18 anos, ainda cursando pedagogia, e tomou tanto gosto pela profissão que tornou-se doutora em didática pela USP.

"Há 30 anos, ser professora era uma profissão muito bem vista. Meus pais não têm diploma de ensino superior. Tive a oportunidade e me interessei por pedagogia." Um teste vocacional que apontou seu talento para a área de humanas combinou com seu gosto para relações pessoais. Durante a faculdade, o estágio na Escola Experimental da Lapa (um centro educacional de referência até a década de 70) despertou a paixão pelo ensino.

“Tenho o credo de que pessoas podem se modificar com um processo de educação de qualidade”, define, explicando como acabou se mantendo na área por tanto tempo, mesmo tendo recebido propostas de empresas, até mesmo mais atrativas financeiramente.

Para Neide, a formação de professores sempre foi um tema de interesse. “Pesquiso o papel do professor na contemporaneidade, desde a década de 80, estudo o que é ser professor em cada época.” Apesar da dedicação acadêmica, Neide acha importante não perder o contato direto com as escolas. Ela coordena um projeto de formação de professores e presta assessoria educacional ao município de Cajamar (SP). “É preciso saber quais os problemas, os entraves no cotidiano. Só posso ter tal visão em contato com o chão da escola”.

Os alunos são companheiros

A inspiração de uma professora de infância também leva educadores a optar pela carreira. "Na sétima série, tive uma professora de português chamada dona Linda. Ela tinha uma alegria e um amor pela profissão que conseguiu fazer com que me apaixonasse pelo conteúdo – naquela época muito mais formal", conta Andreia Martinhago, professora de língua portuguesa para o fundamental II no Colégio Rio Branco - unidade Higienópolis, em São Paulo.

Andreia diz que, na hora de escolher a faculdade, ficou em dúvida entre direito e pedagogia. "Mas a força da dona Linda falou mais forte", brinca. Ela começou a dar aulas aos 19 anos, ainda cursando a faculdade, para o ensino médio. "Os alunos tinham quase a minha idade, foi desafiador porque eu não tinha experiência nem de vida, nem de prática de ensino", diz. Com quase 30 anos de magistério, Andreia considera que a educação é sempre um desafio. "Hoje os alunos são nativos digitais, tive que aprender a dominar a tecnologia para poder chegar perto deles. Mas eles ajudam, são companheiros."

Escolhida

"Não fui bem que escolhi ser professora. Deus, a vida em si, acabam escolhendo a gente. E me sinto capacitada, privilegiada e preferida, por trabalhar com o produto mais rico e delicado, que é o ser humano em sua infância". Esta é a definição para a dedicação ao magistério de Célia de Almeida Barros, professora do segundo ano do fundamental I do Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo.

Ela conta que desde criança, brincava de ser professora. “Não recebi influência de ninguém, é um dom, um desses mistérios que acontecem na vida. E é maravilhoso”, afirma.

Há 30 anos como professora, Célia seguiu o caminho tradicional, do curso normal, seguido pela pedagogia e especializações em psicopedagogia e psicodrama, tendo começado aos 17 anos. Depois deste longo caminho, ela demonstra verdadeira realização na carreira. “Sinto-me jovem pelo trabalho com as crianças, elas dão uma energia que me faz esquecer os problemas da vida.”


FONTE: http://educacao.uol.com.br

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