quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

VERGONHA TOTAL

Um em cada dez crianças e jovens até 17 anos ainda está fora da escola

Meta é que até 2022 todos nessa faixa etária estejam matriculados.
Segundo Todos pela Educação, previsão pode não ser alcançada.

Fernanda Calgaro Do G1, em São Paulo


Cinco metas foram traçadas para o ensino no Brasil até 2022 (Foto: Júlio César Paes/MEC/Divulgação)

Um em cada dez crianças e jovens brasileiros entre 4 e 17 anos estava fora da escola em 2008. A meta para 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, é chegar com todas as pessoas nessa faixa etária matriculadas no ensino básico. No entanto, indicadores educacionais apontam que, se continuar no ritmo atual, a tendência é que essa meta não seja alcançada.


A conclusão faz parte de um relatório divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Todos Pela Educação, movimento que reúne gestores públicos, iniciativa privada e sociedade civil organizada. O documento analisa metas intermediárias, traçadas para indicar se as políticas públicas estão na direção certa.


“O relatório mostra que o Brasil melhorou, mas não na velocidade desejável. De 2007 para 2008, o percentual de crianças na escola cresceu 1%, chegando a 91,4%, mas a meta era 91,9%”, afirma Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do movimento. “Aparentemente, é uma pequena diferença, mas representa um grande desafio justamente porque são as crianças e jovens em situação mais dramática, por terem renda mais baixa ou estarem em zonas rurais, sem acesso a transporte, por exemplo”, diz.


“Os investimentos têm que ser ampliados. Caso contrário, se continuar assim, não iremos alcançar nossos objetivos.”


As metas, estabelecidas em 2006, são focadas nos eixos: atendimento escolar, alfabetização das crianças, aprendizagem escolar, conclusão das etapas da educação básica e volume dos recursos públicos em educação. As metas 1 e 4 são monitoradas anualmente com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do IBGE.

Confira as metas traçadas pelo Movimento Todos pela Educação
Meta 1 Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2 Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3 Todo aluno com aprendizado adequado a sua série
Meta 4 Todo jovem com o ensino médio concluído até os 19 anos
Meta 5 Investimento em educação ampliado e bem gerido

4 a 17 anos

De acordo com a segunda edição do relatório (a primeira foi divulgada em 2008), entre os estados, somente a Bahia superou essa estimativa de crianças e jovens de 4 a 17 anos na escola.


Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Alagoas, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás ficaram abaixo da meta para o período. O Distrito Federal e dos demais estados ficaram perto da meta, o que, estatisticamente, não tem importância.

Percentual de crianças e jovens entre 4 e 17 anos na escola
Região/UF Observado em 2008 Meta para 2008 Meta para 2009 Meta para 2021
Brasil 91,4 91,9 92,7 98
Norte 89,1 89,5 90,7 98

Rondônia

84,4 87,3 88,9 98
Acre 86,5 87,7 89,2 98
Amazonas 90,2 89,9 91,0 98
Roraima 92,2 92,1 92,8 98
Pará 89,4 89,4 90,6 98
Amapá 90,1 90,7 91,7 98
Tocantins 89,6 90,6 91,6 98
Nordeste 91,9 91,8 92,6 98
Maranhão 92,5 91,4 92,3 98
Piauí 93,4 92,6 93,3 98
Ceará 92,6 93,1 93,7 98
Rio Grande do Norte 92,2 92,6 93,3 98
Paraíba 91,5 92,1 92,9 98
Pernambuco 90,5 91,0 92,0 98
Alagoas 87,6 90,2 91,2 98
Sergipe 93,2 92,2 93,0 98
Bahia 92,5 91,7 92,5 98
Sudeste 92,7 93,2 93,8 98
Minas Gerais 91,9 91,8 92,6 98
Espírito Santo 91,0 91,3 92,2 98
Rio de Janeiro 93,2 94,2 94,7 98
São Paulo 93,1 93,7 94,2 98
Sul 89,5 90,9 91,8 98
Paraná 89,9 90,7 91,7 98
Santa Catarina 90,6 93,1 93,7 98
Rio Grande do Sul 88,5 89,8 90,9 98
Centro-Oeste 89,6 91,0 92,0 98
Mato Grosso do Sul 90,6 90,5 91,5 98
Mato Grosso 87,0 90,3 91,3 98
Goiás 89,3 90,8 91,8 98
Distrito Federal 93,0 93,2 93,8 98



Outras faixas etárias

Na faixa etária de 7 a 14 anos, quase todas as crianças estão na escola: o percentual de atendimento é de 97,8%, ante a meta de 98%.
Porém, quando se analisa o universo de crianças entre 4 e 6 anos, somente 83,3% frequentam a escola. Esse número cai para 81,3% entre os jovens de 15 a 17 anos.


Segundo Neves, a expectativa é que, com a aprovação da obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos e a destinação de mais recursos ao orçamento do Ministério da Educação, a situação melhore.

Impacto da renda

Outra conclusão é que a renda tem impacto direto na chance de a pessoa frequentar a escolar e conseguir concluir o ensino fundamental ou o médio (principalmente) em uma idade adequada. Também tem influência o fato de o pai trabalhar e morar na zona urbana.

"A participação dos pais é fundamental para a melhoria do ensino. Uma pesquisa recente mostrou que 72% dos pais estão satisfeitos com a educação no país. No entanto, muitas delas que não tiveram acesso à educação básica de qualidade, quando estudaram, não tinham livros nem uniforme. Então, quando vêem os filhos com transporte escolar, merenda e uniforme, já acham que está muito bom. Só que poderia ser muito melhor.”

Conclusão do ensino fundamental e do médio

Em relação aos percentuais de jovens de 16 anos que concluíram o ensino fundamental e os de 19 que terminaram o ensino médio, as metas foram alcançadas. No entanto, ainda há um longo caminho até alcançar a meta final, em 2022, ressalta o presidente-executivo do Todos pela Educação.


O relatório aponta ainda que somente 61,46% dos jovens de 16 anos concluíram o ensino fundamental em 2008 (a meta era de 61,3%). No caso dos jovens de 19 anos, 47,14% terminaram o ensino médio (a meta era 43,9%). Porém, a meta final para este caso é chegar a pelo menos 90%.


“Santa Catarina foi o estado com maior taxa de conclusão do ensino fundamental aos 16 anos: 75%. Mas a meta era 79,7%. Apesar de estar na liderança, isso é um sinal de alerta”, afirma Ramos.


FONTE: PORTAL: g1.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário